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Postado em 14/02/2019
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BARRAGENS DE REJEITO DE MINERAÇÃO, É SEGURO?


Como podemos observar, tivemos 02 acidentes em 03 anos com barragens da Vale sendo em 2015 da SAMARCO Mineradora em Mariana - MG e recentemente da VALE Mineradora em Brumadinho – MG. Esses acidentes causaram grandes impactos no Meio Ambiente, danos irreverssíveis ao entorno além de causarem a morte de centenas de pessoas, onde de Mariana – MG morreram 19 pessoas e o de Brumadinho – MG até o presente momento, já passa de 100 corpos encontrados, e ainda centenas ainda não localizados, aumentando assim significamente as vitimas deste terrível acidente.
O mar de lama que se espalha pela região provocou grande devastação na área, atingindo instalações da Vale como prédio administrativo, refeitório, manutenção, entre outras que concentrava grande número de funcionários e ainda construções do entorno como residências, hotéis.
De tudo isso temos que tirar lições, como ter o controle maior dessas barragens que muitas vezes são construídas da forma mais barata, pois são rejeitos e não tem valor comercial, visto que o que interessa já foi extraído e são despejados da forma que sai da extração, isso é, com líquido livre e são colocados em barragens construídas com o mesmo material e esse acúmulo de líquido exerce uma força muito grande nessa barragem, sendo que se a água encontra veios, fissuras, irá caminhar e romper em certo momento.
Tudo isso dá para ser previsto com o monitoramento que é feito pelas empresas (automonitoramento) que normalmente contratam empresas terceirizadas especializadas para realizar esse serviço e esses devem ser protocolados no órgão ambiental que deve analisar e dar o parecer.
Os órgãos ambientais normalmente analisam a conclusão desses relatórios, pois são apresentadas anotações de responsabilidades técnicas (ART) junto ao Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA) dos engenheiros que elaboraram o laudo e portanto, esses têm responsabilidade sobre tais documentos.
Como podemos observar o sistema de barragem hoje praticado não é seguro e é necessário rever a análise de riscos feitas, considerando todos os riscos à comunidade, saúde humana e o tipo de monitoramento que é feito, principalmente em barragens preenchidas, evitando novos acidentes.

QUAIS IMPACTOS AMBIENTAIS CAUSADOS POR ESSE TIPO DE ACIDENTE?
Os impactos ambientais causados por esse tipo de acidente são significativos provocando a contaminação do solo por toda área devastada e de corpo receptores, prejudicando muitas vezes o abastecimento de diversas cidades do entorno, como aconteceu em Mariana.
O acidente da barragem de fundão de Mariana foi considerado, na ocasião o maior acidente ambiental do Brasil e maior impacto ambiental do mundo envolvendo barragem de rejeitos com 62 milhões de metros cúbicos.
Nessa ocasião atingiu o rio Doce cuja bacia hidrográfica atinge 230 municípios dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, muitos dos quais abastecem suas populações com a água do rio e que tiveram que suspender tal abastecimento.
A SAMARCO se responsabilizou em fornecer água para todos os municípios atingidos.
A contaminação do rio muitos falam em recuperação em mais de 100 anos e o IBAMA informou que das 80 espécies de peixes que ocorrem no Rio Doce, 11 estão ameaçadas de extinção e 12 são endêmicas (só existem nessa bacia hidrográfica), portanto pode ser que venham a desaparecer devido ao desastre ambiental. 
Em Brumadinho é o maior acidente de trabalho do Brasil, com o maior de número de vítimas que são funcionários e terceirizados da empresa responsável pela barragens, no caso a Vale.
A lama atingiu o rio Paraopeba e, segundo a ONG SOS Mata Atlântica a extensão de 40 km do rio está morto. Quando se fala que o rio está morto, é porque não tem oxigênio dissolvido (OD) suficiente para ter vida aquática. Três Barreiras no rio foram montadas a montante da captação de água de Pará de Minas e também para proteger o Rio São Francisco que o desastre seria bem maior.
A ONG acredita que o rio se recuperará logo por ser um rio de grande porte, mas não estima um prazo para isso, pois há necessidade de recuperar a vegetação e o solo atingido.

O QUE DEVE SER FEITO PARA EVITAR TAIS ACIDENTES?
O automonitoramento é uma prática utilizada e que deve ser confiável, pois funciona no mundo inteiro. As empresas têm que ter a responsabilidade e saber fiscalizar o que estão contratando, pois os laudos devem ser confiáveis e serem apresentados aos órgãos competentes que também devem avaliar e questionar em caso de dúvidas. Os profissionais contratados devem ser especialistas em barragens e tem que saber realmente avaliar a estabilidade das barragens de forma segura, pois é o seu CREA que está em jogo.
Os sistemas de alteamento a montante, além de mais barato, tem maior vulnerabilidade de rompimento, conforme dito pelos especialistas, portanto os órgãos ambientais não devem permitir esse tipo de construção nos projetos apresentados pelas mineradoras. As barragens de alteamento a jusante pelo seu método construtivo são muito mais seguras, tanto é que a Vale anunciou através de seu presidente Fábio Schvartsman que irá desativar 10 barragens de alteamento a montante. 
Na minha opinião, o depósito de rejeito aguado é muito perigoso em qualquer circunstância, portanto as empresas devem estudar a possibilidade de desaguamento desse material, mesmo sabendo que o volume de geração é muito grande, mas terão maior segurança na sua deposição.

OS PREJUÍZOS CAUSADOS PELOS ACIDENTES OCORRIDOS
Como podemos verificar nas notícias diária sobre o assunto de Brumadinho, todas as famílias dos desaparecidos têm esperança em encontrar sobreviventes ainda, porém isso somente ocorrerá se tiverem perdidos na mata, pois a área devastada pela lama não é possível ter sobreviventes.
Os sobreviventes que estavam na área devastada pela lama podemos dizer que nasceram de novo, pois a força da lama é muito grande e muito difícil não ser arrastado e sobreviver a tal situação. A caminhonete onde tinham 02 ocupantes que tentavam fugir, foi salva devido aos vagões do trem arrastados ter entrado por baixo da caminhonete e eles ficaram fora da lama. Assim como o tratorista Leandro Borges Cândido que foi salvo por essas pessoas da caminhonete (Sebastião Gomes e Elias).
Com certeza teremos mais de 300 mortos nessa tragédia o que não adianta indenizações por parte da Vale, pois a vida dessas pessoas não retornará e tudo isso por causa da falta de análise de riscos do sistema de barragens instalados em uma área aonde o índice populacional é elevado e mesmo que o houvesse um plano de evacuação de área definido, não haveria tempo hábil para tal situação.
Fica aqui o alerta que devamos ter maiores responsabilidades com a vida humana, evitando tragédias desse tamanho.

Foto: Barragem se rompeu no dia 25 de janeiro - Foto: Gaspar Nobrega / SOS Mata Atlântica