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Postado em 10/10/2018
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Projeto de sistema de Tratamento de Efluentes Líquidos

CONHECER OS PADRÕES DE EMISSÃO DOS EFLUENTES

Efluentes líquidos são águas contendo traços de contaminação que deverão ser eliminadas, se dividem em sanitários e industriais e suas unidades de medida dos contaminantes são mg/L ou µg/L.
Para se determinar o tipo de tratamento a ser realizado, o primeiro passo a ser desenvolvido é a identificação de onde será feito o descarte deste efluente pós-tratamento e posteriormente conhecer as condições que devemos lançar o efluente, isso é conhecer o padrão de lançamento do efluente. 
O descarte pode ser realizado diretamente na rede pública de esgoto, corpo d’água (córrego, rio e outros) ou tratamento externo, porém para cada tipo de descarte há leis e normas a serem atendidas, como exemplo: se o lançamento ocorrer em corpo d’água é legislado pela Resolução CONAMA 357/2005 e suas alterações, sendo a última a Resolução CONAMA 430/2011, determinando os padrões de lançamento para cada classe do corpo receptor, as características do corpo receptor de acordo com a classe, sendo que o seu lançamento não poderá alterar a qualidade do corpo receptor (chamado padrão de qualidade do corpo receptor).

Após identificado todos esses pontos definimos qual é o padrão do efluente, que sua empresa poderá lançar, e a partir daí partimos para desenvolver o projeto do sistema de tratamento de efluentes.

TRATAMENTO DOS EFLUENTES
A característica do efluente proveniente do esgoto sanitário é conhecida em literaturas, normas técnicas, porém deve ser avaliado, pois os produtos de limpeza utilizados podem causar impactos significativos na carga poluidora do efluente.
Precisamos definir se o efluente vai ser tratado individualmente, nesse caso tem sistemas definidos na NBR 7229/1993 e NBR 13969/1997. Essas normas tem as formas de cálculos para uso residencial, comercial e industrial, obedecendo as suas características.
Tem-se vários sistemas de tratamento de efluentes industriais conhecidos no mercado, porém o projeto é muito importante, pois o tratamento de efluentes em empresas semelhantes nem sempre tem as mesmas características, devido as particularidades que podem alterar o tipo de contaminante e aquilo que é definido para seu concorrente talvez não sirva para sua empresa.
O projeto desenvolvido pela MRA Serviços Ambientais obedece os seguintes critérios:
1. Definir as premissas básicas do projeto – o que se pretende fazer com o efluente.
2. Fazer o levantamento industrial, conhecendo o processo produtivo e identificando os pontos críticos, propondo medidas que visem mitigar e/ou eliminar a geração do efluente e/ou contaminante;
3. Coleta e análise dos efluentes brutos, podendo ser individual ou reunidos para conhecer as características daquele efluente;
4. Realizar ensaios de tratabilidade que são testes de tratamento feitos em laboratórios para definir o sistema de tratamento adequado para tratar seu efluente;
5. Após essa etapa, é possível definir a melhor tecnologia para o sistema de tratamento dos seus efluentes e dimensionar o sistema;
6. Fazer o projeto básico, detalhado;
7. Implantação e start-up;
8. Treinamento e operação.
As tecnologias de tratamento são mais complexas conforme a premissa básica e a qualidade do efluente desejada, por exemplo reúso de água, o efluente deverá passar por polimento final que é tratamento terciário e obter uma qualidade melhor do efluente.

TIPOS DE TRATAMENTO
Primário – Físico-químico – consiste em realizar o tratamento por processos físicos (peneiramento, decantação, separador água e óleo, filtração, eletrocoagulação, entre outros) e químicos (utilização de produtos químicos para obter uma reação como ajuste de pH, coagulação, floculação, oxidação química, entre outros).
Secundário – biológico – dá-se esse nome quando ocorre uma etapa de tratamento anteriormente. Normalmente, quando ocorre o tratamento biológico tem um pré-tratamento mesmo que seja somente físico, por isso que é secundário. O sistema biológico ocorre com bactérias que são cultivadas no próprio esgoto sanitário da empresa ou são criadas no próprio sistema, dependendo da carga orgânica do efluente de entrada.
As bactérias devem ser aclimatadas, que é criar resistência para ela sobreviver àquela carga orgânica desejada, portanto a alimentação inicial do efluente industrial deve ser gradativa.
Para evitar choques, deve-se ter um tanque de equalização que mantém a carga inicial em uma faixa, minimizando os impactos de cargas muito elevadas que podem matar toda a microbiota.
Terciário – Polimento – após o efluente tratado biologicamente e atendendo aos padrões de lançamento no corpo d’água ou rede de esgoto, depende, uma prática atual é o reúso do efluente tratado, minimizando o consumo de água nobre fornecida pelas concessionárias e utilizando água tratada de qualidade.
O tratamento terciário pode ser uma membrana de ultrafiltração, nanofiltração, osmose reversa, ozonização entre outros, aumentando a qualidade da água para o reúso, dependendo da necessidade do cliente.
Cabe salientar que a consultoria pode opinar sobre a qualidade, mas deve ser definida pela equipe de pesquisa e desenvolvimento da empresa para que não afete a qualidade do produto final.

QUALIDADE DA ÁGUA FINAL
Conforme dito anteriormente, o padrão de lançamento do efluente dependerá do local onde será lançado (rede de esgoto, corpo d’água), portanto a complexidade do tratamento depende dessa premissa.
A qualidade do efluente varia de acordo com suas características iniciais, mas o importante e garantir o atendimento dos padrões de lançamento ou reúso.
Toda estação de tratamento deve ter controles de processos para garantir a qualidade sempre, devendo ser feito o monitoramento periódico para avaliação.
Muitos órgãos ambientais pedem o automonitoramento, portanto a empresa deve definir quais os parâmetros que serão controlados e o órgão ambiental validar. Na dúvida é melhor monitorar todos os parâmetros.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Fazer um projeto é muito importante, porém nem todos entendem isso e acreditam que quem fornece equipamento tem condições de dimensionar. 
Os interesses são diferentes, portanto quem fornece equipamento quer vender o equipamento e o que ele tem normalmente são projetos padrões que não atendem as particularidades de cada empresa, portanto vemos diversos “elefantes brancos” que não operam.
Essas situações acabam gerando sanções penais da empresa junto aos órgãos ambientais por não atender os padrões de lançamento e ajustar um sistema que não funciona normalmente ocasiona em perda de recursos e de tempo.