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Postado em 01/11/2017
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Reúso da água e tratamento de efluentes a solução contra a escassez

Caros leitores, quando falamos sobre o tratamento dos efluentes líquidos industriais, pensamos logo na despesa que irá ser incorporada ao nosso custo sem retorno econômico, porém temos que ter habilidade para fazer um bom levantamento industrial onde devemos identificar os pontos críticos de geração e posteriormente fazer um plano de minimização da geração de efluentes líquidos.


Temos como sistema de tratamento de efluentes líquidos diversos sistemas conhecidos como o físico-químico que consiste em gradeamentos, separa-dores de água e óleo, adição de produtos químicos, precipitação e filtração. Também temos o sistema biológico onde o tratamento do efluente ocorre através de bactérias que digerem o carga orgânica contida no efluente que é a vazão x demanda bioquímica de oxigênio (DBO) que é a quantidade de oxigênio necessária para degradar biologicamente a matéria orgânica. O processo de eletrocoagulação também é um processo de tratamento de efluentes que está chegando ao Brasil que é o tratamento através de eletró-lise podendo ser utilizado diversos tipos de eletrodos, dependendo da característica do efluente bruto.


Portanto, podemos dizer que as etapas de um projeto de estação de tratamento de efluentes líquidos industriais e sanitários dependem da necessidade do cliente e está atrelada ao desenvolvimento das seguintes etapas do processo:

(*) Padrões de lançamento são as concentrações de poluentes permitidas para descarte nos corpos d'água ou redes de esgotos enquanto padrão de qualidade é os parâmetros que temos que atender para não alterar a qualidade do corpo d'água receptor.

A NMHG Brasil Ltda, é uma empresa certificada na norma ISO 14000 e está em fase de instalação de uma estação de tratamento de efluentes líquidos com o conceito de reuso da água para a preparação de emulsão de óleo de corte que será utilizado na produção de empilhadeiras.

Foto da Estação de Tratamento de Efluentes Líquidos Industriais da NMHG Brasil Ltda.

Reúso de água

Quando elaboramos um projeto de sistema de tratamento de efluentes líquidos industriais e domésticos propomos para nossos clientes o reuso de água, prática pouco utilizada ainda no Brasil.

Acredito que precisamos quebrar um tabu com relação ao reuso, pois as tecnologias aplicadas são importadas e se traçarmos um paralelo, o efluente tratado pode ter as mesmas características da água da SABESP.

Afinal a SABESP coleta a água dos mananciais poluídos e também potabiliza o que podemos garantir através de análise laboratorial de acordo com a Portaria 1469 do Ministério da Saúde.

A SABESP atualmente fornece água de reuso para uso industrial o que é também pouco reaproveitado dentro da indústria. Após a etapa do tratamento primário, podemos ter os polimentos que dependendo da necessidade do cliente e que tipo de água ele necessita para o reuso, como exemplo, podemos obter uma água industrial não tão limpa para lavagem de piso de fábrica ou de melhor qualidade para utilização em torres de resfriamento, ou ainda isentas de bactérias que podem ser utilizadas em sanitários sem riscos ao ser humano e assim por diante.

Os investidores consideram os custos dos processos de polimento elevado ainda mais quando a qualidade da água final tem que ser potável, mas atualmente em função da escassez da água as empresas estão investindo neste tipo de equipamentos e chegam a conclusão que a redução do custo paga o investimento no curto prazo de tempo.

Os processos de polimento são diversos, porém citamos alguns como ozonização, osmose reversa, microfiltração, ultrafiltra-ção, infravermelho, entre outros.

Foto dos Tanques que serão utilizados para o reuso da água na NMHG Brasil Ltda.

Vantagens x desvantagens dos sistemas de tratamento

A grande vantagem do sistema biológico está no custo operacional que é baixo, porém o investimento inicial é alto, enquanto no processo físico-químico temos o custo operacional alto e o custo de investimento baixo em relação ao biológico. No processo físico-químico a área necessária para implantação é pequena enquanto no processo biológico a área é grande ainda mais se for através de lagoas de aeração.

Os controles operacionais no processo biológico são maiores do que no físico-químico em função de trabalharmos com seres vivos, podendo desenvolver tipos de bactérias indesejáveis ao processo de tratamento.

Outra desvantagem do sistema biológico é que não podemos ter grandes variações na concentração de conta-minantes e de volumes, porém quando encontramos esta situação, são construídos tanques de equalização ou sistema modular.

No caso do tratamento físico-químico podemos fazer complementações com equipamentos no processo de tratamento.

O importante de toda esta história é fazer um estudo de viabilidade econômica após os diversos tipos de ensaios do melhor processo de tratamento. A vantagem da eletrocoagulação é o baixo consumo de produtos químicos e o custo operacional porém ainda é uma tecnologia nova no Brasil e não temos certeza de sua eficiência em escala industrial.

Operação das Estações de Tratamento de Efluentes

As empresas estão cada vez terceiri-zando a operação de estações de tratamento de efluentes líquidos industriais, pois a atividade principal da empresa não é tratar efluentes e nem sempre tem pessoas habilitadas para operar as estações de tratamento.

Há alguns anos atrás, as empresas tinham receio em terceirizar a operação da estação de tratamento, pois as empresas tinham receios sobre a responsabilidade caso extrapolasse os parâmetros previstos na legislação ambiental, porém quando temos empresas consultoras que atendem as nossas expectativas nas questões ambientais, podemos creditar confiança a estas empresas.

Caso sua empresa necessite deste tipo de serviço e não tem conhecimento de prestadores de serviços, há necessidade de avaliar a idoneidade das empresas prestadora de serviços ambientais onde é importante verificar os seguintes critérios:

  • Os seus principais clientes;

  • Serviços realizados nestas empresas;

  • Competência das empresas;

  • Profissionais que executarão os serviços;

    Confiabilidade da empresa;

    Ø Tempo de existência da empresa.

    Ø Na parte trabalhista temos que:

    Ø Solicitar certidões negativas do INSS e FGTS;

  • Solicitar registro dos funcionários que farão a operação na ETE;

  • Seguro de vida para os funcionários;

  • Atendimento as normas regulamen-tadoras do Ministério do Trabalho;

    Atendendo todos estes requisitos, temos condições de avaliar a idoneidade do prestador de serviços e decidir sobre a contratação da empresa.

    Caros leitores, para concluir este assunto, podemos dizer que o tratamento de efluentes líquidos industriais tem que estar agregado ao reuso da água, pois atualmente já estamos enfrentando racionamentos principalmente no período de estiagem e temos que tomar consciência que todos os recursos naturais são limitados e o mau uso poderá ocasionar falta amanhã.

    Filtro Prensa utilizado na Estação de tratamento de efluentes.

    A consciência não está somente nas indústrias e sim começa nas nossas casas, consertando vazamentos, não demorando em banhos, escovando os dentes com a torneira fechada, lavando louça acumulando água, construção de cisternas para acúmulo de água de chuva para lavagem de quintais, entre outras.

    Adotando estas medidas, estaremos contribuindo para um futuro melhor com água e luz que depende da água. Imaginem se chegarmos ao ponto de tomarmos banho somente uma vez por semana em função do racionamento de água.

    Portanto, pensem, temos que tomar consciência e medidas que evitem tais transtornos.


    Por Eng Ricardo Saad



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